Dois avisos importantes:
1. Só faltam 6 dias para o encerramento do envio. E como serão apenas 20 histórias publicadas, envie logo a sua...veja o cronograma ai do ladinho. E elas serão publicadas por ordem de envio.
2. Identifique seu voto. Se não tem blog coloque seu nome e onde mora. Votos anonimos não serão computados. Quem vota tambem concorre a um premio.
(votem muito porque estou adorando a ideia de fazer milhares de papeizinhos pro sorteio...rs)
Os premios são esses da foto. Se quiser ver detalhes, acesse http://www.trekotreko.com.br/E ainda dá tempo participar clique aqui e veja como.
------------------------------------------------------------------------------
------------------------------------------------------------------------------
A arte de contar histórias
Por Yvone - Casas Possiveis.
Todo mundo quer escrever, nem que seja a própria história, e atire a primeira página amassada quem nunca tiver tentado. Como costumo dizer, escrever sua história é a coisa mais fácil do mundo; difícil é encontrar quem leia.
O primeiro problema intrínseco de escrever sua própria historia, é a compulsão que todos temos para mentir e fantasiar nossas lendas pessoais.
O primeiro problema intrínseco de escrever sua própria historia, é a compulsão que todos temos para mentir e fantasiar nossas lendas pessoais.
Quando você senta e começa de fato a escrever, subitamente as tias feias e ranzinzas viram princesas austríacas, sua mãe sempre foi amorosa e gentil e seu pai, o homem mais honesto do mundo. Parecem aqueles testes de vidas passadas onde todos fomos imperadores, reis, rainhas e sacerdotes. Que, aliás, deveriam andar a pé e viver sempre dentro do castelo, já que ninguém foi ferreiro, carregador de estrume, porteiro de ponte levadiça.
Viver comigo não tem sido fácil. Meus defeitos são tantos, tão poderosos, tão complexos, que juntando todos eles lado a lado, minha alma viraria um álbum de figurinhas dos pókemons. Não sou má pessoa, não. Mas não sei cuidar de ninguém direito. Nem de mim, nem de coisa alguma, viva ou morta. Atualmente por exemplo, dê-me uma samambaia pra regar enquanto você viaja e encontrarás na volta um xaxim encharcado de lágrimas. E se me puseram para vigiar uma múmia no sarcófago, aposto que ela sai de lá antes que eu.
Viver comigo não tem sido fácil. Meus defeitos são tantos, tão poderosos, tão complexos, que juntando todos eles lado a lado, minha alma viraria um álbum de figurinhas dos pókemons. Não sou má pessoa, não. Mas não sei cuidar de ninguém direito. Nem de mim, nem de coisa alguma, viva ou morta. Atualmente por exemplo, dê-me uma samambaia pra regar enquanto você viaja e encontrarás na volta um xaxim encharcado de lágrimas. E se me puseram para vigiar uma múmia no sarcófago, aposto que ela sai de lá antes que eu.
Freqüentei escolas por mais de vinte anos, fiz incontáveis cursos durante mais de uma década, leio e pesquiso e tento me informar há um quarto de século. Mas meu maior orgulho intelectual é ser capaz de manejar o garfo e a faca sem jamais ter cortado os pulsos ou furados os olhos, nem os meus nem os de ninguém.
Como todo mundo, comecei com uma mão na frente e outra atrás.
Durante os meus primeiros anos de vida, por exemplo, morei em algum lugar da periferia de São Paulo. Aqui, sem interpretações, please, minha infância foi pobre, mas foi original.
Durante os meus primeiros anos de vida, por exemplo, morei em algum lugar da periferia de São Paulo. Aqui, sem interpretações, please, minha infância foi pobre, mas foi original.
Ah, preciso avisar, minha memória é muito confusa.
Quando eu lembro o quê, esqueço o quando;
quando me lembro quem esqueço onde.
Não me pergunte por quê.
Isso faz com que cada re-encontro com pessoas do passado seja um momento de desconforto, porque nunca me lembro o nome da pessoa, de onde a conheço ou o que ela faz.
É ridículo dizer, mas é como se a cada manhã que eu acordasse eu estivesse não num outro capítulo, mas num outro livro!
Meu marido vai odiar que eu conte publicamente vários fatos. Ele é o grande amor da minha vida, o homem com que gostaria de viver eternamente. Mas não posso negar tudo o que fui ou fiz e se eu o encontrei e fui feliz, devo confessar que o método usado foi o da tentativa e erro.
É ridículo dizer, mas é como se a cada manhã que eu acordasse eu estivesse não num outro capítulo, mas num outro livro!
Meu marido vai odiar que eu conte publicamente vários fatos. Ele é o grande amor da minha vida, o homem com que gostaria de viver eternamente. Mas não posso negar tudo o que fui ou fiz e se eu o encontrei e fui feliz, devo confessar que o método usado foi o da tentativa e erro.
Para amenizar, eu casei algumas vezes. Diante do tribunal, eu teria que dizer que embora este seja o verdadeiro e definitivo, este é meu terceiro casamento. Eu acho a vida curta. Com o passar dos dias vividos, vou encurtando a minha e assim começo a achar que pessoas que se vão aos 88 anos estão indo cedo, na flor da terceira juventude.
-Falemos de amor...
Você já escreveu, tentou, pensou em registrar em texto qualquer coisa ligada a sua vida íntima? Amor, sexo, relacionamento?
Pois se já tentou, garanto que as primeiras barreiras que surgiram foram a mãe, o pai, e o cara-metade.
Não vou nem mencionar a dificuldade de escrever sobre nossos vícios e atitudes ilícitas, que batem direto no medo da polícia.
E o medo de registrar em texto faz sentido, porque mesmo vivendo neste país classificadamente corrupto, o jogo do bicho nos ensinou que na vida, só vale o escrito.
Existe um código de ética invisível e sublimado entre as pessoas que mantêm uma relação, que é a de não ficar falando de amores anteriores. Bilhões de retratos já foram picados, amassados e recortados, na tentativa vã de arrancar do passado do objeto do nosso amor, as criaturas que vieram antes da gente. Bobagem. Não dá pra mudar o passado.
Ao contrário, quando a gente tem um relacionamento estável, feliz, com intenção de ser para sempre, podemos colecionar os amores passados, e guardar nos armários da memória, todas as lembranças numa gaveta da cômoda, inclusive, as incômodas.
Meu primeiro amor pelo sexo oposto aconteceu no primeiro ano da escola. Poderia ter sido antes, mas eu perdi muitos anos da minha primeira infância dando uma de difícil.
Na próxima 'encarnação' vou parar com essa viadagem e beijar o obstetra na boca assim que cortarem o cordão, para não transformar mamãe em cúmplice.
Ele era um alemãozinho loiro, de olhos verdes, muito tímidos e não me restava nada a fazer senão correr atrás dele o tempo todo. A ele agradeço até hoje minhas pernas bem torneadas. Não deu em nada, provavelmente porque tínhamos 7 anos de idade. Mas o autor do outro livro, o da vida, incumbiu-se de nos resgatar como personagens e acabei namorando com ele aos 17. Nunca passamos dos beijos na boca e jamais chegamos perto da divisão reprodutiva. Ele, porque só acreditava em sexo depois do casamento. Eu, porque não acreditava em sexo na cama de cima do beliche.
Entre os 7 e os 13 fui apaixonada por cantores, atores, filhos de vizinhas. Tive um diário para escrever sobre meus amores que virou um marco negro na história de confiança entre eu e as mulheres da família. Alguém pegou e descobriu uns segredos Papai que já era de arrepiar, com seu jeito machão não me deixava sair à noite, festas depois das 22h00min horas nem pensar. Que tolinho. Não sabia que os meninos transitavam soltos pelo mundo e eu, obviamente, arrumei um namorado no ônibus. Ia e voltava da clausura de mãos dadas com meu namoradinho por três anos na moita.
No então 1º ano do ginásio, hoje 5 a. série do primeiro grau, Deus me compensou com um presente inesquecível: depois de muito brigar com meus pais para me tirarem da escola que eu estudava, fui transferida para outra escola. Ocorre que, a escola até então, era exclusivamente para meninos. Seria o primeiro ano em que meninas seriam admitidas também. Seriam, se suas mães assim o fizessem. Mas aparentemente só a minha mãe foi bem convencida e, durante um ano, eu fui a única menina numa sala de 45 alunos.
Todos, homens.
Evidentemente eu era virgem, era uma menina, mas tudo conspirava a favor do sexo: Ah! O paraíso é a falta de concorrência! Dumping no mercado da paixão! Monopólio feminino total no mercado do amor! Certo? Errado. Eram todos os homens. Mas tinham a minha idade: 13 anos.
Eu queria... Homens mais velhos. E assim, me apaixonei por um libanês de 17 anos, (tive que retirar o nome dele daqui), que me desprezava solenemente por eu ser criança demais.
Foi ele quem primeiro gritou pelo pátio do colégio anunciando aos 4 ventos que eu tinha ficado menstruada pela primeira vez. Se existisse OB naquela época o teria enforcado com o cordãozinho. Mas apenas chorei muito no travesseiro e passei a acreditar que sexo, homens, sangue e lágrimas eram coisas difíceis de combinar.
E atire o primeiro monitor de 14 polegadas quem nunca procurou um amor antigo nos mecanismos de busca desta louca rede de intrigas.
É muito mistério para cada um. Como eu disse a uma amiga minha, acho que deve existir reencarnação porque Deus não vai ter tempo de fabricar tantos bilhões de almas individuais. E não deve existir destino porque não há quem possa fazer um roteiro original para cada personagem. É muito texto. Se bem que minha amiga muito perspicaz disse que o roteiro é um só, os personagens é que são muitos. Mesmo assim, é muito diálogo e muita rubrica pra um roteiro só.
Foi ele quem primeiro gritou pelo pátio do colégio anunciando aos 4 ventos que eu tinha ficado menstruada pela primeira vez. Se existisse OB naquela época o teria enforcado com o cordãozinho. Mas apenas chorei muito no travesseiro e passei a acreditar que sexo, homens, sangue e lágrimas eram coisas difíceis de combinar.
E atire o primeiro monitor de 14 polegadas quem nunca procurou um amor antigo nos mecanismos de busca desta louca rede de intrigas.
É muito mistério para cada um. Como eu disse a uma amiga minha, acho que deve existir reencarnação porque Deus não vai ter tempo de fabricar tantos bilhões de almas individuais. E não deve existir destino porque não há quem possa fazer um roteiro original para cada personagem. É muito texto. Se bem que minha amiga muito perspicaz disse que o roteiro é um só, os personagens é que são muitos. Mesmo assim, é muito diálogo e muita rubrica pra um roteiro só.
Estou levando décadas para fazer algo que parece tão simples, que dá a impressão de que já vem com o sistema operacional da pessoa. Mas não vem. Pelo menos, na minha década, não vinha. Talvez agora, que o mundo está mais moderno, as coisas tenham evoluído, não sei.
Pausa
Aceitar ser quem se é tem uma conseqüência imediata maravilhosa: a gente vai vivendo, vai aprendendo, vai melhorando. O progresso pessoal é uma vitória deliciosa, nos mínimos detalhes. Mesmo com a decrepitude da velhice, uma dor aqui, uma manchinha na pele ali, é inegável a beleza do conhecimento acumulado. É verdade, às vezes vem uma bela de uma senilidade precoce, uma amnésia e apaga tudo, mas tirando esses casos de exceção, é uma coisa linda começar a entender as coisas por acúmulo de aprendizado.
Aceitar ser quem se é tem uma conseqüência imediata maravilhosa: a gente vai vivendo, vai aprendendo, vai melhorando. O progresso pessoal é uma vitória deliciosa, nos mínimos detalhes. Mesmo com a decrepitude da velhice, uma dor aqui, uma manchinha na pele ali, é inegável a beleza do conhecimento acumulado. É verdade, às vezes vem uma bela de uma senilidade precoce, uma amnésia e apaga tudo, mas tirando esses casos de exceção, é uma coisa linda começar a entender as coisas por acúmulo de aprendizado.
Em tempo:
Se, mais tarde, ou em outro momento, eu reler esse texto e achar que não ficou bom, posso mudar tudo, apagar tudo, posso esquecer o que dito. Posso negar, posso me arrepender ou posso redizer tudo de novo, acrescentando ainda outras coisas. Quem vai saber o que virá?
Se, mais tarde, ou em outro momento, eu reler esse texto e achar que não ficou bom, posso mudar tudo, apagar tudo, posso esquecer o que dito. Posso negar, posso me arrepender ou posso redizer tudo de novo, acrescentando ainda outras coisas. Quem vai saber o que virá?
A continuação vai ter que ficar para outra hora quem sabe quando conseguir colocar um fim em tantos raciocinios...
Beijos a todas e espero que tenha conseguido ler até o final.
Yvone Pereira
-------------------------------------------------------------------
Só sei de uma coisa...To Feliz...e SOU Feliz e to feliz.
beijos e ainda tem muitas historias maravilhosas para voces.